Bem eu escrevo, você sabe muito bem
disso. Nem tanto sobre nós, sobre mim, sobre você e sobre tudo isso que tá
acontecendo com a gente, agora. E tento respirar quando você está por perto,
mas fica um pouco difícil, é como nadar, com a cabeça debaixo d’água, você se
sente orgulhoso, mas nem sempre satisfeito. E eu não preciso estar em suas mãos
o tempo inteiro. Não pra ser feliz.
Você tem boas intenções, eu sei, mas
isso não torna as coisas melhores. Eu não sou tão difícil de segurar, mas meu
mau gênio não faz as coisas serem tão simples. E aí minhas páginas ficam em
branco, quando eu tento escrever sobre você, agora.
Eu não quero escrever uma canção pra
você só por que você pediu, ou por que você precisa de uma. Ou ainda por que
você diz que é necessário fazer, por que isso é que vai restar, caso a gente
não fique junto. Não vou te escrever uma canção de amor pra que você fique, se
você tiver que ir embora. Então não vou fazer versos até tiver uma boa razão
pra escrever.
Aprendi da pior maneira possível que
as pessoas falam o que for preciso pra conseguir o que querem. Meu coração
vivia pesado, afundando, por palavras deturpadas, e isso machuca tanto. Não
venha me dar sermão, você não é tão bonzinho como eu pensava, e eu vejo isso
agora, depois de toda barra que passamos juntos.
Só me prometa uma coisa, que não vai
fingir também, e que vai me deixar enxergar as coisas, vai deixar claro pra mim
se pode ou não me amar.
E eu vou te avisar mais uma vez que não
vou te escrever uma canção de amor por que você pediu isso, se tudo que você
quiser fazer é ir embora. Não vou te escrever só pra você ficar. Então preciso
que exista uma razão bem melhor pra te escrever uma canção de amor, pelo menos
por hoje.